sábado, 1 de agosto de 2015

Plano de Aula "O Médico Fantasma"

CONTEÚDOS: LEITURA, INTERPRETAÇÃO DE TEXTO E RACIOCÍNIO LÓGICO

OBJETIVOS:- Interpretar o texto;
                    - Produzir texto;
                    - Estimular o raciocínio lógico;

DESENVOLVIMENTO

LINGUAGEM ORAL E ESCRITA

O MÉDICO FANTASMA

Esta história tem sido contada de pai para filho na cidade de Belém do Pará. Tudo começou numa noite de lua cheia de um sábado de verão.
Dois garotos conversavam sentados na varanda da casa de um deles. 
— Você acredita em fantasma? — perguntou o mais novo.
— Eu não! — disse o outro.
— Acredita sim! — insistiu o mais novo.
— Pode apostar que não — replicou o outro. 
— Tudo bem. Aposto minha bola de futebol que você não tem coragem de entrar no cemitério à noite.
— Ah, é? — disse o garoto que fora desafiado. Pois então vamos já para o cemitério, que eu vou provar minha coragem.
Assim, os dois garotos foram até a rua do cemitério. O portão estava fechado. O silêncio era profundo. Estava tão escuro... Eles começaram a sentir medo.
Para ganhar a aposta, era preciso atravessar a rua e bater a mão no portão do cemitério. O garoto que tinha topado o desafio correu. Parou na frente do portão e começou a fazer careta para o amigo. Depois se encostou ao portão e tentou bater a mão nele. Foi quando percebeu que ela estava presa.
— Socorro! Alguém me ajude! — ele gritou, desmaiando em seguida.
Nisso apareceu um velhinho vindo do fundo do cemitério, abriu o portão e chamou o outro menino.
— Seu amigo prendeu a manga da camisa no portão e desmaiou de medo. Coitadinho, pensou que algum fantasma o estivesse segurando.
O garoto reparou que o velhinho era muito magro, quase transparente.
— Obrigado. Como é que o senhor se chama?
— Eu sou o médico daqui. Vou acordar seu amigo.
O velhinho passou a mão na cabeça do menino desmaiado e ele despertou na mesma hora.
— Vão pra casa, meninos — ele disse. Já passou da hora de dormir.
E foi assim que os meninos perceberam que tinham conhecido um fantasma e entenderam que não precisavam ter medo de fantasmas, pois esses, apesar de misteriosos, são do bem. 
Heloísa Prieto. “Lá vem história outra vez: contos do folclore mundial”. São Paulo. Cia das letrinhas, 1997 (texto adaptado para fins didáticos).

INTERPRETANDO O TEXTO


1) Assinale a alternativa correta:
a) No início do texto, onde estavam os personagens?
( )Os garotos estavam na escola, brincando no recreio.
( )Os garotos estavam na porta do cemitério.
( ) Os garotos estavam sentados na varanda na casa de um deles.

b) Por que os meninos decidem ir ao cemitério? 
( ) Para acompanhar um enterro.
( ) Devido a uma aposta que fizeram valendo uma bola de futebol.
( ) devido a uma aposta que fizeram valendo uma bola de basquete.

c) O que era necessário para ganhar a aposta?
( ) Atravessar a rua e bater a mão no portão do cemitério.
( ) Atravessar a rua e entrar no cemitério.
( ) Atravessar a rua e chamar pelos fantasmas pelo portão do cemitério.

d) Depois de se encostar no portão, o que aconteceu ao garoto?
( ) Sua mão ficou presa no portão, mas ele conseguiu se soltar rapidamente.
( ) Sua mão ficou presa, ele gritou e desmaiou em seguida.
( ) Sua mão ficou presa, ele ficou mudo e desmaiou em seguida.

2) O médico fantasma é uma história sobre medo, um “Conto de assombração”. Descreva o momento mais assustador da história.

3) Você ficou com medo? Por quê? 

4) Como os meninos perceberam que o velhinho era um fantasma? 

5) Por que será que o desafio era ter que ir ao cemitério à noite? Você aceitaria este desafio? Por que?

6) Você já passou por uma situação assustadora? Era um medo real ou imaginário? Conte aqui a sua história. 

LINGUAGEM MATEMÁTICA
Você se lembra da história “O médico fantasma”?
A parte mais interessante da história se passa na porta de um cemitério... lugarzinho tenebroso que abriga muitas almas penadas!Será mesmo que todos os fantasmas são do bem?Será que existem muitos?Quantos?Centenas, milhares?
Então vamos fazer alguns cálculos e descobriremos tudinho!!!

1) A Ala Norte do cemitério é a mais lotada, possui cerca de 240 túmulos. Cada túmulo tem vagas para colocarem 6 caixões. Quantos caixões caberiam no total?

2) E todos os dias chega mais gente, quer dizer, fantasmas! No ano em que a história foi escrita, haviam 1265 defuntos na ala Sul. No outro ano, foram enterrados mais 918 . Pergunta-se:

a) Há quantos enterrados nesta ala?

b) Considerando-se 2890 vagas, ainda sobraram vagas? Quantas?

3) Há alguns anos, o velhinho médico era quem atendia a todos os fantasmas recém-chegados no cemitério. No ano de 1997 (ano em que a história foi escrita), resolveu fazer uma pesquisa e começou a classificar seus pacientes em 4 grupos diferentes. Veja a tabela.

Tipos de fantasmas/1997                  Número de fantasmas
Horripilantes e cruéis                           79
Assustadores                                        384
Tranqüilos e “de bem com a morte”    1458
Morrem de medo de gente                   294

Pergunta-se:
a) Qual foi o maior grupo encontrado?_____________
b) Quantos fantasmas não oferecem perigo algum?____________
c) Há quantos fantasmas perigosos?____________
d) Há mais fantasmas perigosos ou inofensivos? Qual a diferença?___________
e) Se considerarmos o mesmo número de fantasmas horripilantes e cruéis por 9 anos, quanto teríamos?___________
f) E em 5 anos de fantasmas assustadores, quanto teríamos?__________

RECURSOS: Lápis, caderno, quadro, giz;

AVALIAÇÃO: Por meio de produção textual e do raciocínio lógico diante das situações problemas;

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Plano de Aula "De que cor é?"

CONTEÚDOS: LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

OBJETIVOS:- INTERPRETAR O TEXTO
 - EXPRESSAR ATRAVÉS DE CORES OS SENTIMENTOS;
- PRODUZIR TEXTO;

DESENVOLVIMENTO

DE QUE COR É?
(Luciana de Almeida)

Abra os olhos ... olhe bem a sua volta...
Quantas cores você viu? Amarelo, alaranjado, verde, azul, anil...
Tudo nesse mundo tem cor! 
A gema do ovo da ema é amarela como o sol no céu.
A pena da cauda do pavão é da cor de cada momento: 
VERMELHA, quando está com raiva; 
AZUL, quando está contente; 
AMARELA, quando está cansada;
VIOLETA, quando está por um triz. 
MULTICOLORIDA, quando está feliz!

1)- Estudando o texto: 
a)- Título:
b)- Autora: 
c)- A autora diz que cada momento tem a sua cor. Por quê?

2)- De que cor você pintaria:
a)- a saudade?
b)- a dor?
c)- o amor?
d)- a tristeza? 
e)- a preguiça? 

- Expresse através de uma ilustração como se sente no dia de hoje, para isso utilize as cores que  represente cada um dos seus sentimentos, compartilhe com o colega e depois escreva como você se sente e o porque de estar sentindo-se assim:

RECURSOS: lápis, caderno, borracha, quadro, giz.

AVALIAÇÃO: Por meio da produção textual e da forma como poderão expressar seus sentimentos através das cores.

Lenda do Pirarucu

Segundo a lenda do Pirarucu, contada pelos índios, antes de ele ser um peixe, era um jovem índio guerreiro, valente, orgulhoso, vaidoso, injusto e que gostava de praticar maldades, ao contrario de seu pai que era um bom homem.
Um dia durante a ausência de seu pai que visitava algumas tribos vizinhas, Pirarucu aproveitou a ocasião para fazer de refém os índios da própria aldeia e executa-los sem motivo algum.
Foi então que Tupã, Deus dos deuses resolveu castiga-lo com uma forte tempestade que caiu dos céus sobre a floresta. Em seguida com sua arrogância Pirarucu começou a debochar de Tupã. Foi então que começaram a cair raios perto do índio que em seguida tentou fugir, mas não conseguiu, vencido pela força do vento caiu ao chão e um raio partiu uma árvore muito grande que caiu sobre sua cabeça, achatando-a totalmente. Ainda vivo o jovem guerreiro teve o corpo carregado facilmente pela enxurrada para as profundezas do rio, porém Tupã achou que a morte seria pouco para Pirarucu e não satisfeito resolveu castigar o jovem guerreiro transformando-o em um peixe avermelhado de grandes escama e de cabeça chata.
Pirarucu é um peixe da região amazônica que pode alcançar cerca de 2 m de comprimento. Sua carne é bastante utilizada em pratos típicos, o que faz com que o Pirarucu seja bastante conhecido na região.
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Retirado do site: http://www.lendasfolcloricas.com.br/lenda-pirarucu/

Lenda do Guaraná

Conta a lenda do Guaraná, que um casal de índios pertencente a tribo Maués, vivia junto por muitos anos sem ter filhos. Um dia eles pediram a Tupã para dar a eles uma criança para completar suas vidas. Tupã, sabendo que o casal era cheio de bondade, lhes atendeu o desejo dando a eles um lindo menino.
O tempo passou e o menino cresceu bonito, generoso e querido por todos na aldeia. No entanto, Jurupari, o deus da escuridão e do mal, sentia muita inveja do menino e decidiu matá-lo. Certo dia, o menino foi coletar frutos na floresta e Jurupari se aproveitou da ocasião para lançar sua vingança. Ele se transformou em uma serpente venenosa que atacou e matou o menino. A triste notícia se espalhou rapidamente. Neste momento, trovões ecoaram e fortes relâmpagos caíram pela aldeia.
A mãe, que chorava em desespero, entendeu que os trovões eram uma mensagem de Tupã, dizendo que deveriam plantar os olhos da criança e que deles uma nova planta cresceria dando saborosos frutos. Assim foi feito e os índios plantaram os olhinhos da criança. Neste lugar cresceu o guaraná, cujas sementes são negras rodeadas por uma película branca, muito semelhante a um olho humano.
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Retirado do site: http://www.lendasfolcloricas.com.br/lenda-guarana/

Lenda do Uirapuru

O uirapuru é um pássaro verde-oliva de cauda avermelhada. Seu gorjeio é tão melodioso que toda floresta emudece para ouví-lo cantar.
Conta a lenda que, numa tribo no sul do Brasil, havia um cacique chamado Arurau amado por duas índias e sem saber com qual delas iria se casar, decidiu realizar uma prova de pontaria.
A índia vencedora chamava-se Araúna e foi a escolhida, por isso a Oribici, índia derrotada, ficou muito triste e se escondeu na mata para chorar. Chorou tanto que no lugar onde suas lágrimas caíram, nasceu um riacho.
Tupã o deus dos índios, estranhando aquele riacho novo, veio ver o que estava acontecendo. Então encontrou Oribici chorando sem parar.
O deus perguntou a ela o que havia acontecido. Ela contou-lhe tudo e completou:
_Estou com saudade do meu amado, mas não quero que ele me veja chorando. Se o senhor me transformasse em passarinho, eu poderia vê-lo sem ser percebida.
Tupã fez lhe a vontade.
Vendo que o cacique estava feliz e amava sua esposa, Oribici voou para a norte do Brasil indo parar na floresta Amazônica e para consolá-la, Tupã deu-lhe um canto maravilhoso e ela vive a cantar para esquecer suas mágoas.

Lenda da Erva Mate

Esta lenda conta que, há muitos e muitos anos, uma grande tribo estava de partida. O lugar onde moravam não servia mais, pois a caça estava difícil e a terra já não produzia como antes. 
Todos estavam muito tristes, apesar das palavras animadoras do cacique e das previsões do pajé. 
Lentamente, em procissão, os índios foram deixando a antiga aldeia onde tinham vivido tantos anos. As ocas abandonadas e alguns pássaros que, percebendo o abandono, vieram pousar no terreiro, à procura de alguma sobra de comida, compunham a desolação do ambiente. Não havia mais ninguém. De repente, o couro que fechava a entrada de uma oca foi afastado.
Os pássaros, assustados, voaram para longe, e um velho índio apareceu. Tinha os cabelos completamente brancos e apoiava-se a um bordão. Atrás dele surgiu uma mocinha índia. O velho guerreiro não tivera forças para acompanhar a tribo em sua marcha. Sua filha mais nova, sem coragem de abandoná-lo, preferira renunciar à segurança da tribo. Para não assistir à partida de sua gente, haviam permanecido dentro da oca. O velho insistira com a filha para que fosse com os outros: 
- Vá, enquanto é tempo, Iari. Pouco me resta de vida e depois, o que será de você? O que fará neste lugar abandonado? Antes ficar sozinho do que angustiar-me com seu destino. 
- Não fale assim, pai. Sabe que eu não teria coragem de abandonar-lhe. O que faria o senhor sozinho? Morreria de fome! 
Os dois continuaram a viver na aldeia e dava pena ver o esforço do índio para ser útil à filha.
Lentamente, com o maior sacrifício, reunia um pouco de lenha, apanhava, apanhava alguma fruta.
Ela, então, não parava: plantava, colhia, cozinhava, procurava manter em ordem a oca e o terreiro, onde o mato, adivinhando a fraqueza da moça, parecia resolvido a retomar o que fora seu. Até as onças, que antes não se aproximavam, temendo a flecha dos guerreiros, andavam urrando cada vez mais perto. A noite era cheia de sobressaltos e o dia, vazio de esperanças. 
Os meses foram passando.Numa triste tarde de inverno, o velho estava um tanto afastado da aldeia, colhendo algumas frutas, quando viu mexer-se uma folhagem próxima. Pensando que fosse uma onça, ficou gelado. Para defender-se, não tinha mais forças; para fugir, não podia contar com as pernas. Completamente paralisado, esperou o pior.
Em vez da onça, porém, viu surgir um homem branco muito forte, de olhos da cor do céu, vestindo roupas coloridas, que aproximou-se do velho guerreiro e pediu:
- Venho de longe e há dias que ando sem parar. Estou cansado e queria repousar um pouco. Poderia arranjar-me uma rede e algo para comer? 
O velho lembrou-se que a comida era escassa, mas não pode recusar.
- Sim, respondeu. Venha comigo. E tomaram o caminho da aldeia.
Ao chegar, ele chamou Iari e apresentou-lhe o viajante:
- Este homem, minha filha, está mais cansando do que nós e também sente fome. Cuide para que nada lhe falte. 
Iari acendeu o fogo e preparou tudo o que havia de comer, embora soubesse que não seria fácil conseguir mais. O estranho comeu com apetite. O velho e sua filha cederam-lhe sua oca e foram dormir numa das outras, abandonadas. Iari levou sua rede, nela acomodou o pai e dormiu no chão, porque não havia outra rede e a de seu pai ficara com o viajante.
Logo cedo, o velho índio encontrou o homem branco cortando lenha. Pediu-lhe que parasse, pois era um hóspede, mas o homem respondeu que já estava bem descansado e gostaria de ajudar, também. 
Terminou de cortar a lenha e seguiu em direção à floresta. Horas depois, retornou com várias caças. O velho não sabia o que dizer.
- Vocês merecem muito mais! - exclamou o homem. Trataram-me com toda a hospitalidade, dando-me tudo o que possuíam!
Depois ele confessou que era um enviado de Tupã. O deus dos índios estava preocupado com a sorte dos dois.
- Pela bondade de vocês, disse ele, merecem receber tudo o que desejarem. 
O velho animou-se: 
- Posso pedir mesmo? 
- Claro! Diga o que deseja! 
- Queria ter um amigo que me fizesse companhia até que meus dias acabassem. Assim, Iari poderia alcançar nossa tribo e ser feliz. Fico triste em vê-la aqui sozinha, sem amigas, sem uma festa, só trabalhando. Se ao menos eu tivesse mais forças! Poderia ficar sozinho. Ela não quer deixar-me, porque sabe que eu não sobreviveria. 
- Vou arranjar-lhe um amigo, prometeu o mensageiro. Um amigo que lhe dará alegria e forças para o resto de seus dias. 
Mostro-lhe, então, uma erva estranha: 
- Esta é a erva-mate. Plante-a, deixe que ela cresça e faça-a multiplicar-se. Depois ferva suas folhas e beba o chá. Novamente as forças lhe voltarão e poderá trabalhar e caçar o quanto quiser. Sua filha, se desejar, poderá ir ao encontro da tribo. 
Iari foi chamada e disse que não, preferia ficar na companhia do pai. Não poderia ser feliz em sua tribo, se o deixasse só. 
O enviado de Tupã sorriu, emocionado: 
- Por ser tão boa filha, você merece uma recompensa. A partir de agora, você é Caá-Iari, a deusa protetora dos ervais. Cuidará para que o mate jamais deixe de existir e fará com que os outros o conheçam e bebam, para ficarem fortes e felizes. 
Em seguida, o homem partiu. 
Tinha dito a verdade: o velho guerreiro recuperou as forças perdidas e nunca mais passaram necessidade. 
Entretanto, Iari vivia preocupada com o pedido do estranho. Ele queria que ela tornasse o mate conhecido. Mas como? Estavam tão longe que ali não aparecia ninguém! Ela não sabia o que fazer.
Numa distante aldeia de índios, realizava-se uma grande festa. Todos estavam contentes porque tinham feito uma boa caçada e tão cedo não precisariam preocupar-se com alimento. Enquanto uns dançavam e cantavam, outros comiam e bebiam.
Depois de algumas horas de alegria, dois jovens índios, que tinham bebido mais do que deviam, começaram a discutir. Eram Piraúna e Jaguaretê. O primeiro usava um colar feito com dentes de cem inimigos que abatera nas guerras; o segundo era famoso por sua força e coragem. Eram os guerreiros mais fortes da tribo.
Quando alguns índios viram o que estava acontecendo, procuraram acalmar os dois jovens, pois sabiam que uma briga entre eles teria resultado funesto. Depois de muito esforço, levaram cada um para um lado e a festa continuou.
Mas os dois estavam mesmo decididos a terminar a discussão que haviam iniciado. Pouco a pouco, um foi chegando perto do outro e a briga recomeçou. Desta vez, apelaram para a força. Os índios mais corajosos fizeram de tudo para separá-los. Porém, quem podia com eles? Fortes como eram, cheios de ódio e com cauim a embotar-lhes o raciocínio, pareciam duas feras e não dois homens. 
De repente, Jaguaretê empunhou um tacape e deu um violento golpe na cabeça de Piraúna, matando-o. Interrompendo-se a festa e Jaguaretê foi amarrado ao poste das torturas. 
Pelas leis daquela tribo, os parentes do morto podiam executar o assassino. 
Trouxeram o pai de Piraúna, para que ordenasse a execução de Jaguaretê, mas ele não quis fazê-lo. Disse que Jaguaretê só era culpado de haver bebido demais, tendo dado, assim, oportunidade a Anhangá, o espírito mau, de dominá-lo, levando-o a matar o amigo. Ele não deveria ser morto, portanto. Apenas expulso da tribo. Teria de viver sozinho nas matas desconhecidas, onde poderia refletir com calma sobre o que fizera. 
A decisão do velho foi obedecida. Depois de desamarrarem o jovem guerreiro, deram-lhe permissão para que pegasse suas armas e ordenaram que partisse imediatamente. 
Jaguaretê obedeceu e seguiu para o exílio. Ia triste, cabisbaixo, pois o efeito da bebida estava passando e podia ver agora o mal que fizera. Seguiu seu caminho e embrenhou-se na mata. 
Depois que Jaguaretê sumiu na floresta, ninguém ouviu falar mais nele. Com o tempo, foi completamente esquecido.
Muitos anos depois, alguns índios daquela tribo, que nem tinham ouvido falar em Jaguaretê, saíram para caçar. Entraram pelo sertão, onde era fácil encontrar uma onça, aprofundando-se cada vez mais. No meio da floresta, encontraram uma cabana. Surpresos, aproximaram-se com cuidado. Nisto, um homem forte e sorridente apareceu. Embora tivesse os cabelos brancos, o corpo e o rosto eram os de um jovem.
Ele acolheu os índios com cordialidade e ofereceu-lhes uma bebida desconhecida. Era Jaguaretê, o índio expulso de sua tribo, e a bebida desconhecida era o mate.
Os índios quiseram saber por que ele vivia sozinho naquela cabana e que bebida era aquela.
Jaguaretê contou-lhes a sua história:
- Assim que me vi sozinho na floresta, não aguentava mais o cansaço e o remorso, joguei-me no chão e ali fiquei, pedindo a morte. O arrependimento e a saudade de minha gente me torturavam. Fiquei muito tempo caído no mesmo lugar. Pressenti, então, que alguém estava perto de mim. Levantei a cabeça e vi uma jovem de olhar bondoso. Ela fitou-me com compaixão e disse: 
- Tenho pena de você, porque não matou por querer e agora está arrependido do que fez. Para que possa suportar seu exílio, vou ensinar-lhe uma bebida que não enfraquece nem tira a razão como o álcool, mas fortalece o corpo e clareia a mente. Meu nome é Caá-Iari, a deusa protetora dos ervais. 
Mostrou-me uma estranha planta e esclareceu: 
- Esta é a erva-mate. Plante-a, deixe-a crescer e faça-a multiplicar-se. Depois, prepare uma infusão com suas folhas e beba o chá. Seu corpo será forte e sua mente será clara por muitos e muitos anos. 
Segurei, emocionado, a planta que a deusa me entregara. Ela me olhou, em silêncio. Depois, desaparecendo pouco a pouco, como se fosse fumaça, ordenou: 
- Não deixe de transmitir a quem encontrar, o que aprendeu sobre o mate! 
- Portanto, meus amigos, finalizou Jaguaretê, quero que levem alguns pés de erva-mate para sua tribo e nunca deixem de transmitir aos outros o que aprenderam. 
- Não vem conosco? - perguntou um índio. 
- Não, não vou, respondeu Jaguaretê, pensativamente. Agora é tarde. Todos os que eu conhecia na tribo já devem estar mortos e eu seria um estranho. É preciso que eu cumpra meu exílio. Além disso, estou habituado com este lugar, que me sinto parte dele. E não estou sozinho, tenho o mate para alegrar minhas horas de solidão. 
Os índios voltaram e contaram aos outros o tinham ouvido. O mate foi plantado e multiplicou-se. 
Outras tribos aprenderam o seu uso e ele é, até hoje, muito difundido no Sul.



Histórias e Lendas do Brasil (adaptado do texto original de Gonçalves Ribeiro). - São Paulo: APEL Editora, sem/data. Ilustrações de J. Lanzellotti

sábado, 25 de julho de 2015

Lenda da Gralha Azul

Pois foi à fazenda dos Pinheirinhos que veio ter um dia o Fidêncio Silva, homem de grandes negócios, com casa matriz em Curitiba e filial em Ponta Grossa. Havia muito já que não experimentava descanso daquela agitação comercial em que vivia e a necessidade de um repouso prolongado tornara-se-lhe cada vez mais patente.
Ora, Fidêncio Silva era parente afastado da esposa de José Fernandes. Assim, logo que pensou em descanso, lembrou-se dos Pinheirinhos, longe daquele bulício de transações e onde o clima não podia ser mais saudável. E não tardou que estivesse a sorver em largos haustos, com evidente contentamento, o ar puro e varrido da campanha guarapuavana.
José Fernandes recebeu-o fidalgamente, como costumava fazer para todos que traziam uma certa importância de responsabilidades. Pôs os Pinheirinhos à disposição do seu hóspede pelo tempo que desejasse: um, dois, três meses e mais se lhe aprouvesse. Ali teria plena liberdade; quando não quisesse sair nas ocasiões de rodeio, poderia ficar em casa, a uma sombra do pomar, folheando qualquer livro da sua biblioteca quase totalmente agrária, mas que possuía, também, alguma literatura. E passeios igualmente não faltariam: um dia voltearia um rincão; outro iria às terras de planta, levando espingarda para espantar algum tateto; hoje faria uma caçada de anta mais para o sertão ou sairia a passarinhar pelos capões; amanhã correria a vizinhança, ouvindo prosa de caboclos; e até pescaria, se quisesse, poderia fazer no Picuiry, três léguas sertão adentro. Dessa maneira não havia como não corressem agradabilíssimos os trinta dias que Fidêncio Silva pretendia passar nos Pinheirinhos. E assim foi.
Um domingo depois do almoço, saiu à caça com o fazendeiro. Bem municiados, espingardas suspensas pelas bandoleiras ao ombro, entranharam-se os dois por extenso e tapado capão, “querência certa de muito veado, cutia e quati” - afirmava o José Fernandes.
Mas a sua asserção foi logo posta em cheque pela evidência dos fatos: os caçadores não viam um só animalzinho que merecesse chumbo grosso, embora já tivessem andado muito. Passaram então a sondar a ramagem, na esperança de divisar algum pássaro de saborosa carnadura. Em certo momento Fidêncio Silva parou e fez um sinal de silêncio ao companheiro. Depois, engatilhou, apressado, a arma e firmou pontaria, visando a fronde de retorcida guabirobeira. O fazendeiro procurou a caça, erguendo o olhar para a direção indicada pelo cano da espingarda. Súbito, um tremor sacudiu-lhe o corpo, e, de um pincho, esteve ele ao lado de Fidêncio Silva. Mas já era tarde: o rebôo do tiro perdia-se molemente pelas quebradas da mata, soturno, a evocar tristeza naquela quietude frouxa de um mormaço estonteante. A expressão condoída da fisionomia do José Fernandes durou pouco e de todo desapareceu ao ruflar das asas ligeiras esgueirando-se assustadiças por entre as tramadas franças. O atirador errara o alvo e, boquiaberto, todo interrogação, estacava os olhos no fazendeiro, que, ainda com a mão no cano da arma, que pretendera desviar antes do tiro partir, desafogava um longo suspiro de satisfação.
- Meus parabéns!, foram as primeiras palavras de José Fernandes, entre irônicas e zombeteiras.
- Parabéns!?, exclamou, ainda mais intrigado, o Fidêncio Silva.
- Então não merece cumprimentos o caçador que erra tiro em gralha azul? Renovo-os: toque nestes ossos!
E estendeu a destra.
- Quero compreender as suas palavras, mas creia, não posso atinar com o porquê de seu
arrebatamento de há pouco. Não matar com carga de chumbo um pássaro do tamanho dessa gralha, concordo que seja péssimo atirador; porém...
- Não. Não o censurei por errar. Muito pelo contrário: apresentei-lhe os meus sinceros parabéns.
Confundido, meio envergonhado, o Fidêncio Silva confessou:
- O amigo tem, então, duas coisas para explicar-me.
- Uma só, uma só. Emendou logo o fazendeiro. Há coerência entre as minhas palavras e a anterior atitude. Eu lhe conto tudo. Sente-se aí nesse tronco caído e escute-me.
O negociante obedeceu maquinalmente. Depois tirou de um lenço e pôs-se a enxugar o suor que lhe escorria pelo rosto, enquanto que, largando o corpo preguiçosamente sobre a trançada grama, José Fernandes foi falando assim:
- Era no inverno, quinze anos atrás. Havia muita seca e o gado caía de magro. Certa tarde montei o cavalo e saí a costear banhados e percorrer sangas, na esperança de salvar alguma criação que porventura se atolasse ao saciar a sede. Levava comigo uma velha espingarda de ouvido, que sempre me acompanhava, porque naquele tempo não poupava graxaim que encontrasse pelo campo, a negociar leitões e carneirinhos. Pois bem, regressava para casa., vagaroso, o pensamento nos grandes prejuízos que a seca estava ocasionando, quando vi um bando de gralhas azuis descer à beira de um capão, entre numeroso grupo de pinheirinhos. Para afugentar, ainda por pouco, a minha tristeza, acrescida pelo fato de ter naquela volteada encontrado mais duas reses estraçalhadas pelos corvos, resolvi dar caça àqueles animaizinhos. Aproximei-me cauteloso, apeando a respeitosa distância. Não muito longe, deti-me à sombra de um pinheirinho e contemplei, por instantes, o bando. Eram poucas as gralhas, e notei que revolviam o solo com o bico. Fazer pontaria e puxar gatilho foi obra de um momento. Mas, ai! Que horrível o segundo que se lhe seguiu: a espoleta estraçalhou-se e vários estilhaços, de mistura com resíduos da pólvora, vieram dar em cheio em meu rosto. Tonteei, bambearam-se-me as pernas e caí sobre a macega.
Quanto tempo estive desacordado, não lhe sei dizer. Antes, porém, de recuperar os sentidos, quando o sol já se encobria por trás da mata, um pesadelo fabuloso, qual uma história de fadas, gravou-se-me na memória. Revi-me de arma em punho, pronto para fazer fogo. Quando o fiz, iluminou-se o alvo e, aberta as asas brilhantes, o peito a sangrar, veio ele de manso, se achegando a mim. Os pés franzinos evitavam os sapés esparsos pelo chão e o andar esbelto tinha qualquer coisa de divino. Dardejante o seu olhar, estremeci ante aquela figura de ave e deixei cair a arma. Estático já, estarreci ao ouvir os sonoros e compreensíveis sons que aquele delicado bico soltava naturalmente. Dizia a gralha: “És um assassino! Tuas leis não te proíbem matar um homem? E quem faz mais do que um homem não vale pelo menos tanto quanto ele? Eu, como humilde avezinha, entoando a minha tagarelice selvagem como o marinheiro entoa o seu canto de animação na véspera de praticar seus feitos, faço elevar-se toda essa floresta de pinheiros; bordo a beira das
matas com o verdor dessas viçosas árvores de ereção perfeita; multiplico, à medida de minhas forças, o madeiro providencial que te serve de teto, que te dá o verde das invernadas, que te engorda o porco, que te locomove dando o nó de pinho para substituir o carvão-de-pedra nas vias férreas. E ignoras como eu opero!... Vem. Acompanha-me ao local onde me interrompeste o trabalho, para aprenderes o meu doce mister. Vês? Ali está a cova que eu fazia e, além, o pinhão já sem cabeça, que eu devia nela depositar com a extremidade mais fina para cima. Tiro-lhe a cabeça porque ela apodrece ao contato da terra e arrasta à podridão o fruto todo, e planto-o de bico para cima a fim de favorecer o broto. Vai. Não sejas mais assassino. Esforça-te, antes, por compartilhar comigo nesta suave labuta.” A gralha desapareceu e eu voltei à razão.
Levantei-me a custo e fui ter ao local escavado pelas aves, uma das quais jazia com o peito
manchado de sangue, ao lado de um pinhão já sem cabeça. Admirado, verifiquei a certeza da visão: mais adiante cavouquei com as mãos a terra revolvida de fresco e descobri um pinhão com a ponta para cima e sem cabeça.
O José Fernandes fez uma pausa e depois concluiu, mal encobrindo a sua alegria:
- Aí está, caro Fidêncio, como vim a ser um plantador de pinheiros. Quero valer mais que um homem: quero valer uma gralha azul!


Lendas Brasileiras / Câmara Cascudo. - Rio de Janeiro: Ediouro, 2000
Ilustrações de J. Lanzellotti